Afta atinge 25% da população e pode ser sinal de doenças

Se você é uma dessas pessoas que sempre estão sofrendo com as aftas, cuidado! Seu organismo pode estar tentando te avisar que algo não vai bem. Ao contrário do que muitos acreditam, as aftas não são causadas pelo vírus que provoca o herpes labial. As feridinhas que surgem na boca- mais especificamente na gengiva, mucosa e embaixo da língua – provocando dor e incômodo podem ter causas diversas, mas, geralmente, aparecem todas as vezes que o sistema imunológico fica fragilizado ou quando as doenças do chamado aparelho digestório (antigo aparelho digestivo) causam refluxo e um excesso de acidez, embora essas situações sejam mais raras.

A literatura especializada afirma que ¼ da população mundial já sofreu com o problema em algum momento da vida. Para o professor da Universidade Federal da Bahia e um dos maiores nomes em estomatologia, o cirurgião-dentista Antônio Fernando Falcão, o problema é mais comum nas crianças e nos idosos. “Os muito jovens ainda não estão com as defesas maduras e os mais velhos apresentam fragilidades no sistema imunológico”, explica. De tão importante, o assunto foi tratado em um dos módulos da décima sétima edição do Congresso Internacional de Odontologia da Bahia, realizado no final de semana, no Centro de Convenções, na Boca do Rio.

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Na Bahia, estima-se que 13% da população sofra com as aftas, no entanto, o cirurgião dentista reconhece que esse número é subnotificado. Estados como Paraíba, Ceará, Goiás e São Paulo a prevalência é maior. Fernando Falcão diz que não há uma explicação muito clara para os números, mas algo pode estar relacionado à herança genética da colonização nesses locais.

Cuidados

O especialista lembra que as aftas geralmente desaparecem após duas semanas, mas se a cicatrização demorar de acontecer é importante que um estomatologista ou gastroenterologista possa avaliar o quadro para afastar qualquer possibilidade de complicações que possam resultar num câncer de boca. “As pessoas que são fumantes, portadores de traumas crônicos ou possuidores de fatores irritativos, como o refluxo gastroesofágico devem realizar o autoexame sempre e, pelo menos uma vez ao ano, buscar um profissional para um exame mais detalhado”, esclarece, fazendo questão de enfatizar que nem toda afta é um fator de risco, mas que qualquer lesão na boca é um agravo quando o assunto é o câncer do boca.

O médico baiano e mestre em gastroenterologia pela Universidade de São Paulo Flávio Feitosa lembra que pessoas portadoras da síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, doença celíaca (alergia ao glúten) estão mais susceptíveis às aftas. “De fato, as pessoas que desenvolvem múltiplas e repetidas lesões na boca precisam investigar o problema mais profundamente para saber o que está causando o quadro”, esclarece, lembrando que as aftas de repetição são grandes indicativos de problemas no estômago ou doenças imunológicas.

O especialista lembra que não existem alimentos capazes de provocar aftas, mas que o consumo de alguns produtos podem irritar ainda mais o local já machucado, como é o caso das frutas cítricas, pimenta, condimentos em geral, que prejudicam a cicatrização. “As pessoas alérgicas a amendoim, abacaxi e kiwi também ficam mais predispostas a desenvolver as úlceras”, completa o médico.

Ele diz que uma boa forma de prevenir o surgimento das aftas e manter o organismo funcionando bem é optar por alimentos naturais, ricos em vitaminas do complexo B (como as carnes, legumes, folhosos, leite e ovos), ferro (pimentão, feijão, salsa, frutas secas, chocolate meio-amargo, melado de cana-de-açúcar, rapadura e açúcar mascavo, fígado e peixes).

Com uma postura parecida, o estomatologista Fernando Falcão lembra que é sempre bom evitar os refrigerantes, pois, além da acidez, o produto termina roubando os nutrientes que ajudam a proteção da mucosa da boca. “O excesso de açúcar contido nessas bebidas também está longe de ajudar à saúde bucal”, completa.

Tratamento
O infectologista Claudilson Bastos, assessor do Laboratório Sabin, lembra que o estresse emocional também possui um impacto no surgimento das aftas porque, nessas situações, há uma queda imunológica. “Talvez, por isso mesmo as mulheres sejam as maiores vítimas dessas lesões”, explica.

O médico lembra que embora não exista um tratamento específico para as aftas, cuidados com a higienização, o uso de anti-inflamatórios, analgésicos e, em casos de alergias, corticoides ajudam a tratar o incômodo. As aftas também podem vir acompanhadas de febres ou ínguas. “Aplicar gelo na área atingida também ajuda a reduzir a dor”, ensina o infectologista, ressaltando que a administração do estresse por meio de atividades físicas, boas noites de sono e uma alimentação equilibrada também são bons aliados no combate das aftas.

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